domingo, 15 de dezembro de 2013

Toda a glória dos 16 Bits (quase) na sua mão



MD Play da Tec Toy com 20 jogos na memória, a quaaase inesquecível versão portátil do inesquecível Mega Drive da Sega

Sim. Por algum motivo muito bizarro, após anos nunca encontrando em lugar algum, vi um MD Play solitário à venda no balcão das Lojas Americanas do Shopping Parque Dom Pedro, aqui em Campinas. Se você, assim como eu, sente 'aquela' emoção bacana toda vez que ouve aquele pequeno côro de japoneses dizendo "Seeegaaa!" na abertura dos jogos do Sonic, a ideia de poder jogar Mega Drive num pequeno dispositivo, leve e compacto, deve ter lhe entusiasmado por vários anos. Quiçá pode até ter visto este produto da Tec Toy como 'a grande chance' de reviver todo o encanto e diversão do Mega Drive neste promissor futuro, tão saturado de tablets e smartphones. Comprei-o imediatamente, e agora tento auxiliar você que está pensando em adquiri-lo, ou quer apenas satisfazer a curiosidade a respeito dele.

Uma primeira dica? Se pensa em comprá-lo, vá com calma. Leia o review por inteiro, antes de comprar.

Infelizmente, preciso adiantar que ele não é o portátil definitivo do Mega Drive que você, segamaníaco, sempre sonhou. Ele não vai substituir nenhum console das primeiras versões (muito menos o histórico Versão 1, aquele com saída para fone de ouvido com volume independente, e que costumava vir com o cartucho do Altered Beast). Ele tem umas falhas que poderão te desanimar (explicarei isso melhor mais adiante). Hoje em dia, com a emulação do Mega beirando a perfeição facilmente em qualquer PC, e sendo bastante digna até em alguns smartphones, este aparelho fica ainda mais em desvantagem.


Por outro lado, seria injusto se eu simplesmente o desqualificasse e dissesse que é um lixo total. Não é. Ele tem sim, suas virtudes. Se você não for um jogador muito exigente, e tiver um perfil mais 'casual', pode ser que elas lhe sejam suficientes.

Vamos, então, analisar o aparelho:

Visão do lado superior - da esquerda para direita - luz de indicação de funcionamento/recarga, entrada para carregador, saída P2 para TV, entrada do cartão de memória, e botão-roda de ajuste de volume 
Chave de liga-desliga, e botões de ação



Constructo e Design

Oh, céus! Plástico. Só. 

Do mais vagabundo? Não. Quebra fácil? Não fiz nenhum teste de resistência, mas a impressão que ele deixa é que ele aguenta uma queda ocasional, da mesa para o chão de sua casa, mas não dura muito tempo se você o der para uma criança de 8 anos.

Esteticamente, ele não impressiona. Não porque haja falhas muito graves: o plástico é sem rebarbas, tem certa espessura, não passa uma impressão muito frágil, felizmente, e possui uma textura que vai agradar ao tato e não ficar com marcas de suas digitais. Ele apenas carece de um pouco mais de sofisticação e refino. Além disso, se você procura por um dispositivo com design 'de vanguarda', ele não é indicado. Seu visual remete àquela coisa de 2004, 2005. Não estranharia se descobrisse que seu projeto original vem mesmo de quase 10 anos atrás.

Imagem da tela

Um dos pontos fortes do aparelho é o quesito imagem: nitidez OK, todos os detalhes de pixels presentes. Se, para você, a qualidade da imagem for muito mais importante que a do som, você ficará satisfeito e sem muitos motivos para queixa. Seu único porém, que o impede de levar nota 10 no quesito tela, é faltar um pouco de brilho, para aquelas situações de jogo ao ar livre em dia ensolarado. Se você estiver, por exemplo, jogando num ônibus sob sol a pino, a tela vai ficar bastante ofuscada. Para todas as outras situações com menor intensidade de luz no ambiente, horas e horas de boa diversão lhe aguardam.

Sonic está um bocado feliz em te ver

Emulação, hardware e software

Quanto à velocidade da emulação, ela é perfeita. 60 quadros por segundo, sem lentidões de qualquer tipo. Não notei nenhuma falha, neste quesito.

Outro detalhe importante, e bastante bem-vindo, é que este modelo de 20 jogos não é limitado aos jogos que vem na memória interna.

Oficialmente, você pode adquirir mais jogos comercializados com o nome de 'MD Card games'. Cilada da Tec Toy. Não caia nessa! Neles, os jogos vêm em pequena quantidade, e são de qualidade duvidosa.

Eu tenho uma sugestão bem melhor: você pode expandir sua biblioteca de jogos, bastando, para isto, adquirir um simples cartão de memória comum. Não precisa ser de 16 GB: 4 GB bastam para armazenar toda a biblioteca, de milhares de jogos existentes, para o console. (o de 4GB custa algo em torno de R$20 a R$30. Tranquilo, né?) Detalhes sobre o procedimento para armazenar os jogos no cartão, não darei agora (depois elaboro isso), mas você vai encontrá-lo fácil, bastando pesquisar um pouco pela Net. É um investimento baixo que lhe trará bem mais jogos.

Ainda no quesito emulação, infelizmente o aparelho apresenta uma omissão gravíssima: não há como salvar seus progressos nos jogos via bateria de backup. Salvar e depois continuar sua aventura em Sonic 3 / Sonic 3 + Sonic & Knuckles, ou fazer carreira no Ayrton Senna's Super Monaco GP 2? Fora de cogitação. Frustrante. Isso desanima qualquer jogador hardcore e elimina boa parte do público em potencial. Só os jogos mais casuais, de ação rápida (Street Fighter II, por exemplo), ou com sistema de password (Castlevania), continuarão divertidos.

Som

A outra grande decepção que tive com o aparelho. Para mim, músico ocasional, foi a gota d'água.

O problema não está no altofalantezinho embutido. Ele não entrega qualidade nenhuma de som, mas até aí, estamos no lugar comum. Altofalantezinhos embutidos normalmente são apenas 'quebra-galhos' e não entregam qualidade sonora, mesmo.

O que é realmente problemático nesse aparelho, para ser claro e objetivo, é que o som da emulação está fora do tom original.

Mesmo que você não entenda nada de música, você vai ter a sensação de que há algo muito estranho, e que as músicas ficaram mais esquisitas, mais 'sinistras e soturnas'. Isso é porque as músicas estarão tocando tons abaixo do original, vão soar mais graves.

Enfim, nada vai tocar do jeito que os compositores intencionaram quando o jogo foi criado, e não vai adiantar trocar de jogo, pois este problema é do emulador interno do aparelho.

Em alguns títulos, isto não será tão perceptível, pois nestes casos todos os canais de áudio mantêm a harmonia da composição, mesmo soando mais graves do que deviam. (em Road Rash, por exemplo)

Já em outros jogos, como World of Illusion, prepare-se para um show de horrores bem macabro. Os canais de áudio vão soar totalmente desarmoniosos e 'tensos'. O que era pra ser música alegre e divertida com a assinatura Disney, soará 'tensa'. Não recomendo pra ninguém.

Por gostar demais do Mega, eu me esforcei para tentar esquecer um pouco isso. Dependendo do jogo, e depois de algum tempo, confesso que me senti acostumado, como se estivesse ouvindo outra versão das músicas. Mas esta sensação de conforto é mero comodismo e resignação, e não dura muito tempo. Basta trocar de jogo, ou se envolver mais com a trilha, que a realidade se impõe, e o desconforto volta. As músicas simplesmente vão ofender todas as lembranças que você tiver das trilhas originais, sem dó. Mancada extrema da Tec Toy.

Quer arriscar? Depois postarei uns áudios de comparação, para você poder também avaliar. Mas por enquanto, só tenho a dizer que o som deste aparelho é imprestável, e acaba com o prazer de jogar a maioria dos jogos. Triste realidade.

Saída para fones de ouvido. Mono.  ¬ ¬

Bateria

Sua bateria, removível, leva em média 5 horas para uma carga completa. Após, a recarga, espere uma autonomia de mais ou menos 5 horas ligado e jogando. Não decepciona, mas também não impressiona.

Um detalhe que não é muito bacana, é que não é possível jogar enquanto a bateria é recarregada. Tsc, tsc...

A favor, o aparelho conta com o carregador de tomada incluído na embalagem. Menos mal...

Embalagem, manual e preço

A embalagem, de papelão compactado revestido, e uma espuminha interna anexa que ameniza impactos, é suficiente para (quase, na verdade) impedir que seu aparelhinho seja destruído num transporte via Correios (é uma lástima ter que fazer esta observação, mas os funcionários da ECT tratam a sua mercadoria muito mal. Eles vão chutar e arremessar sua caixa como se fosse uma bola, porque recebem um salário muito ralo. Não se apresse em culpá-los. O problema é que nosso país é mesmo uma vergonha e não sabe valorizar seus importantes profissionais. E é assim desde sempre). Então, se você for comprá-lo através de algum site, exija a Nota Fiscal. Se for numa loja física, peça para o vendedor testá-lo um pouco, antes de fechar a compra. Até mesmo porque, independente do transporte, unidades defeituosas existem.

O manual, se pudermos chamá-lo assim, é apenas uma folha que não contém quase nenhuma informação. Ele apenas fala daquilo que você que já usou uma televisão antes já sabe (onde fica o botão de volume e a chave de liga/desliga, por exemplo).

Pagar R$149,90 pelo bichinho, pareceu justo. Não chega a ser caro, por um produto com garantia e fabricado em Manaus. Mas eu só o consideraria barato se não fosse por suas duas falhas graves, que explicitei anteriormente: não poder salvar progressos dos jogos em bateria backup, e a experiência com o som medonho.

Resumindo, este aparelho tem o potencial de agradar os fanáticos por Mega Drive que não sejam jogadores muito exigentes, nem se importem com som desafinado e fora de tom. Vale talvez como experiência, se os R$149,90 pedidos pelo aparelho estiverem morgando na sua carteira. Fora destes cenários, não ouso recomendar.

Tabela resumida

Prós: 

- tela de qualidade decente. Boa nitidez e brilho de imagem, mas não em todas situações

- qualidade de emulação desejável

- layout dos botões e direcional bastante confortável para o manejo. Nenhum sério problema em potencial para pessoas com mão muito grande ou muito pequena

- permite expandir a biblioteca de jogos através de um cartão de memória (SD Card) comum, desses que você encontra facilmente em qualquer papelaria ou loja de informática hoje em dia

- pode ser utilizado como um console normal, em praticamente qualquer televisor, através de seu cabinho A/V (que vem com o aparelho), com qualidade nada decepcionante

Contras:

- jogos não salvam via bateria backup. Morreu na última fase de Kid Chameleon? Azar, meu filho...azar...

- som completamente fora do tom. Assim fica difícil.

- saída do som: mono. Esqueça os efeitos estereofônicos que deixam os sons e músicas mais envolventes e 'espacializadas', e estavam no áudio original.

Ideal para 

Aficcionados pelo Mega Drive que, ao mesmo tempo, não sejam jogadores muito exigentes.


Sasso avalia (de 0 a 10):

Qualidade dos materiais: 5 
Design (ergonomia + estética): 8
Imagem: 9
Velocidade de emulação: 10
Som: 1

Compartimento da bateria removível, e o endereço completo da Tec Toy em Manaus/AM, pra quem quiser ir fazer uma visitinha por lá


Ficha técnica

Vídeo

Tela: LCD.

Não é touchscreen. Não insista.

Áudio

Saídas: duas.

1. Em conjunto com o vídeo composto (padrão RCA)

2. Saída para fones de ouvido (padrão P2).

Ambas têm saída de sinal Mono.

4 comentários:

  1. Muito boa a avaliação Sasso, embora seja entusiasta da Nitendo e da Sony ( PS1 e só) fiquei com vontade de jogar nesse portátil. Maykson

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    1. Valeu, Maykson! Esteja à vontade aqui! Abraços...

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  2. Excelente review!

    Gostei muito do que li e sinceramente, há inúmeros outros bons "mini-games" por ai, a TecToy hoje em dia, faz coisas para crianças.

    Esse "mini-game" é interessante, para quando uma criança de uns 10 anos pedir um PSP
    para o pai =D

    Grande abraço.

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    1. Que bom que apreciou, Olicheski! Vejo como uma boa pedida, sim, neste caso que você falou. Como a criança provavelmente não vai deixar o aparelho durar mesmo, que seja por poucos reais investidos... :-) Volte sempre! Abração!

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